segunda-feira, 13 de maio de 2013




Subiu as escadas correndo, a mão no rosto, sem olhara para trás. Deixou os pais, no andar de baixo, estupefatos. Abriu a porta do quarto, entrou e se trancou. Uma vez lá dentro, sozinha e entre quatro paredes, desandou a chorar. Um rio nascia, naquele instante, de seus olhos. Foi assim durante a sexta, o sábado e o domingo. Segunda-feira levantou-se e foi para o colégio, normalmente, como todos os dias. Lá, sorriu nas horas certas; falou quando esperavam que falasse; calou-se quando deveria calar-se. Tudo na mais perfeita normalidade. Ninguém percebeu sua dor, e não haveria porque perceber. Já era mestra em por sorrisos no rosto e fingir que nada acontecia. Não porque quiseste, mas porque fora necessário. Afinal, a ela só foram dadas duas opções: ser devorada cada dia mais por aqueles insultos silenciosos saídos do olhar daqueles que um dia chamara de amigos ou aparentar ser forte, para que assim não a derrubassem por completo. Escolheu ser forte; mesmo que apenas aparentemente; mesmo que para isso tivesse de levar uma vida fingida, com iludida felicidade. E, se mais alto ainda fosse o preço, ainda escolheria a segunda opção, pois pelo menos assim poderia dizer que tentou, que continuou lutando, apesar de tudo.